Pedroso: “a publicidade não é responsável pelo consumo de uma sociedade”

André PedrosoFormado em Comunicação Social pela PUC do Rio de Janeiro, André Pedroso acaba de assumir uma das direções de criação da Fischer, deixando a Momentum, onde estava desde o final do ano passado. Começou sua carreira na extinta Publicità, no Rio de Janeiro. Em 1988, foi para a DPZ. Trabalhou também em agências como JWT, Contemporânea, Fischer, Y&R, Lowe, Euro e DM9DDB. Comandou a comunicação de clientes como Unilever, Johnson&Johnson, O Globo, Renault, Citroën, Peugeot, Nissan, Bradesco e Consul, entre outros. Pedroso é o segundo entrevistado da série “Abordagens sobre Consumo”. Confira o bate-papo:
Memorial do Consumo: O que o consumo representa para você?
André Pedroso: Já vemos iniciativas conscientes ao redor do mundo sobre consumo sustentável. O momento é de pensar de uma forma mais profunda sobre o nosso papel em um mundo que precisa começar a reciclar ideias e produtos. Mas estamos no caminho.
MC: O seu dia-a-dia no trabalho influencia suas práticas de consumo?
Pedroso: Minhas crenças como cidadão é que determinam como e o que vou consumir.
MC: Mas suas práticas de consumo ao longo da sua vida influenciam no seu trabalho…
Pedroso: Sem dúvida que aquilo que você vive acaba influenciando seu trabalho de um jeito ou de outro. São experiências, histórias, vivências. No entanto, o target e seus hábitos de consumo que devem falar mais alto na hora de construir o pensamento de uma campanha. Se você se deixar levar muito pelas próprias experiências, corre o risco de fazer campanhas para você mesmo e não para o target.
MC: Quando você começou a se interessar por propaganda?
Pedroso: Acabei fazendo Publicidade por exclusão. Queria fazer Medicina, mas não fiz. Como sabia escrever bem, minhas opções seriam jornalismo ou publicidade. Fiquei com a segunda por influência do meio. Amigos, professores e o momento que o Brasil vivia acabaram por me levar para o mundo da publicidade.
MC: Qual a sua memória sobre publicidade e consumo na infância? E atualmente?
Pedroso: Lembro de uma campanha que achava muito divertida na época. Era o “Bebe Quieto”, para o Guaraná Antarctica. Atualmente, a campanha que mais chamou minha atenção é da Under Armour, com o Michael Phelps.
MC: Como você se vê influenciando o consumo de uma família?
Pedroso: Se um povo não come linguiça no café da manhã, não será a publicidade sozinha que mudará este hábito. A publicidade sempre foi responsabilizada por influenciar hábitos de consumo. Mas ela sozinha não tem toda esta força. É impossível isolar a publicidade como única responsável pelo consumo de uma sociedade. A formação histórica de um povo, sua cultura, a geografia em que uma determinada sociedade está inserida, enfim, a publicidade, no fim das contas, apenas leva a escolha de um determinado produto em detrimento de outro.
 

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