A legitimidade do discurso científico na contemporaneidade

Em algum momento no passado, os fatos e os títulos eram pré-requisitos que gabaritavam certas pessoas a falar, mas essa lógica parece estar sacudida: “não estudei sobre isso, mas essa é a minha opinião”

O percurso da ciência moderna, concebida sob paulatinas descobertas nas diversas áreas que constituem as chamadas ‘ciências naturais’, apresentou para as sociedades a materialidade do progresso intelectual e tecnológico, ao passo que as estimulou a acreditarem na perfectibilidade de um mundo comandado pela racionalidade e tecnicidade. Contrariando a trilha lógica de uma permanente melhoria prometida por esse racionalismo, a ciência moderna percebeu-se em um cenário muito mais complexo e desafiador do que poderiam imaginar seus precursores.

Os três últimos séculos foram o cenário onde se apresentou o desenvolvimento tecnológico fabril, mecânico e, posteriormente, digital. O particular avanço na Física na virada dos séculos XIX-XX pode ser o primeiro indicativo visível da mudança que começava a se dar no âmbito ciência moderna, com a substituição da lógica newtoniana pela lógica einsteiniana. Essa mudança de paradigmas começava a representar uma espécie de revolução científica como nos séculos recentes ainda não se estabelecera e transformaria significativamente o modo como as sociedades enxergavam e passariam a enxergar a ciência a partir de então.

Aproximando-se do tempo presente, o senso comum é impulsionado por um movimento de questionamento dessa ciência que tem como modus operandi sua própria refutação como (auto)construção. Imperativos de múltiplas ordens se colocam em igualdade com o modelo acadêmico-científico, sendo eles formas outras de produção de saberes e racionalidades – conhecimento não-formal/popular, mitologia, misticismo, religião e uma espécie de ‘autoridade experiencial’.

Interpretando esses fenômenos ainda no século XX, o filósofo francês Jean-François Lyotard observava a crise de legitimidade da ciência no tecido social e a determinou como um ‘metarrelato em declínio na pós-modernidade’. Inspirada por esta reflexão desenhada no último quartel do século XX e também interessada nos aspectos expressos na dualidade modernidade versus pós-modernidade, me dedico a investigar quais elementos estão sendo evidenciados como legítimos na sustentação de lógicas operativas e explicativas de um mundo em século XXI. Se a explicação científica, técnica e hiper-especializada não tem êxito no desvendamento das questões complexas que cercam a existência na contemporaneidade, outras narrativas ou lógicas certamente hão de sobreporem-se. Mas de quais estão/estamos falando, exatamente?

DANIELLY BEZERRA DOS SANTOS – Mestranda no PPGCOM-ESPM/SP na Linha de Pesquisa Comunicação, consumo e contextos de recepção. Bolsista Prosup-Capes. Graduada em Relações Públicas pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Lattes: http://lattes.cnpq.br/6084291739072237 
Contato: daniellybdossantos@gmail.com

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