Discutindo sobre identidades e Instagram: o que é real e o que não é em seu perfil?

            Atualmente, estar em um site de rede social não é mais visto como uma opção. Cada vez mais sites e apps surgem com o propósito de entreter, informar, distrair ou promover a socialização, fazendo com que a presença em seus ambientes se torne praticamente obrigatória, uma forma de “estar por dentro” e acompanhar as últimas discussões e tendências. Ao construir seu perfil em sites como o Facebook, Instagram, Twitter, entre outros, os usuários selecionam as fotos, textos, vídeos e outros tipos de conteúdo que melhor os descrevem para os demais usuários. No entanto, de que forma isso pode impactar em suas vidas e no conceito de identidade?

            Na dissertação de mestrado “Fotos, fachadas e personas: a construção identitária por meio do uso do aplicativo Instagram”, pretendeu-se elaborar uma discussão acerca desta problemática. Ao construirmos nossos perfis na rede e selecionarmos as melhores imagens, ângulos, filtros e objetos para constituir as fotos que compartilhamos, acabamos transmitindo determinadas mensagens aos demais usuários que, por sua vez, interpretam os signos lá presentes e associam certos valores às nossas próprias identidades. Dessa forma, pretendeu-se pautar a discussão nos efeitos que isso pode causar na sociedade conectada em que vivemos hoje: se é tão fácil postarmos nossas fotos em um ambiente como o do Instagram, seria então possível construirmos uma identidade nova por meio disso? Fingir uma vida de fachada ou atribuir valores a fim de participar de um determinado grupo e, por consequência, poder ganhar fama e status com isso?

            Por meio de uma análise bibliográfica acerca dos conceitos de identidade, meios digitais e consumo, foi possível discutir sobre este tema e elaborar uma série de questionamentos acerca do funcionamento do Instagram e o comportamento de seus usuários. Após isso, foram selecionados 5 entrevistados, considerados heavy-users do app para discutir a respeito disso por meio de uma dinâmica: em cada entrevista, realizada individualmente, o entrevistado, por meio de um questionário, deveria descrever seus gostos, valores, hobbies, entre outras características e, após isso, deveria analisar os perfis digitais dos demais selecionados e, a partir apenas das fotos que compartilharam, montar um perfil sobre cada um. Após isso, foi colocado em pauta a discussão sobre esta possibilidade de se realizar o que chamamos de uma “construção identitária”, e de que forma isso pode impactar na vida dos indivíduos.

         Durante as entrevistas, foi interessante notar que, embora cada entrevistado tivesse a consciência da possibilidade que aplicativos como esse fornecem aos usuários de “construir suas próprias identidades”, todos demonstraram certo desconforto ao serem confrontados a analisarem os demais perfis. Em todas as entrevistas, foi possível perceber incongruências entre o diagnóstico que cada entrevistado fazia de si mesmo e o que era transmitido aos demais em seus perfis, e mesmo não concordando com esse tipo de prática, cada usuário se mostrou preocupado com o que estava transmitindo com suas fotos.

            Embora seja uma discussão que ainda está longe de acabar, dado o contínuo surgimento de novos sites de redes sociais, o crescimento dos chamados “influenciadores digitais”, a disseminação das fake News, e as frequentes atualizações de formatos e práticas nos apps, a pesquisa mostrou sua importância para o campo da comunicação e consumo, indicando as possibilidades de exploração destes ambientes por pessoas e empresas para estimular determinadas mensagens, promover o consumo e a socialização. No entanto, como já dito, isso é apenas o começo.

Pietro Giuliboni Nemr Coelho – Doutorando no Programa de Pós Graduação em Comunicação e Práticas do Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing. Mestre em Comunicação e Práticas do Consumo e Bacharel em Comunicação Social pela ESPM-SP. Membro do grupo de pesquisa Comunicação, Identidade e Consumo (CICO). 

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