Varejos e a Cidade

Pense em qualquer grande cidade que você conheça bem. Ela tem uma rua icônica de comércio (ou algumas)? Bem, esse parece ser um elemento comum na espacialidade urbana. Agora imagine que algumas dessas ruas acompanham, há décadas, o cotidiano dessas localidades, assistindo, refletindo (e de algum forma também impactando) as transformações na cultura, no consumo e na paisagem. Se você leu o O Grande Gatsby, vale lembrar como Fitzgerald usa o outdoor do oculista como uma figura poética, permanentemente observando o bairro nova iorquino do Queens…
O que o varejo tradicional diria sobre a sua cidade?
Com questões similares em mente, Adriano Almeida, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Estadual de Londrina, colaborador no projeto de pesquisa Os discursos do Varejo na Espacialidade Urbana, teve a seguinte ideia: comparar fotos de uma rua tradicional de comércio, do exato mesmo ângulo, ao longo de diferentes décadas, em uma abordagem semiótica.
Daí nasceu a sua pesquisa, que aborda as influências dos estabelecimentos varejistas na cultura, consumo e visualidade da cidade de Londrina (PR), onde Adriano reside. Em sua análise, o pesquisador comparou os significados dos elementos que constituem duas fotografias da região central de Londrina, uma do período 1940-50 e outra de 2018.
 Londrina década de 1940-50. 
Fotografia: Carlos Stenders – Fonte: Livro Revelações da História: O Acervo Foto Estrela, 2012
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Londrina - Foto 3 maior
Londrina 2018. 
Fotografia: Adriano Almeida – Fonte: Acervo pessoal Adriano Almeida, 2018

 
Como as imagens fotográficas representam os sentidos e significados da cultura da sociedade londrinense e da relação de consumo nos estabelecimentos do varejo local? Quais impactos e transformações ocorrem nos espaços urbanos em decorrência desta interação?
Os resultados revelaram que a cidade pode ser considerada como um quebra-cabeças, podendo ser analisada por meio de suas estruturas físicas, imagens, poder de influência, limitações e contribuições para o engajamento social e o consumo. Interpretar essas peças como partes de uma linguagem permitiram identificar a construção da comunicação do espaço urbano central de Londrina.
As imagens fotográficas revelaram o modo como os estabelecimentos varejistas emitem sinais da cultura e história locais. Os sentidos emitidos nas relações de consumo desvendam o potencial de influência sobre as transformações espaciais e como esses alteram a visualidade urbana e modificam os hábitos dos usuários.
Para essa pesquisa, foi necessário mergulhar nos ambientes urbanos centrais de Londrina, vivenciando a interatividade social e cultural para entender o fluxo e a movimentação do espaço estudado. Pesquisar sobre o ambiente em que o pesquisador vive, porém, pode ser desafiador, exigindo cuidado e vigilância.
“Visitas e diversos livros me presentearam com um misto de curiosidade e nostalgia… A cada virar de página, reconhecia em imagens fotográficas do início da construção da minha cidade, com diversos locais que fizeram parte em algum momento da minha vida”, compartilhou Adriano.
Se você se interessou por essa pesquisa, se gostaria de colaborar ou receber mais informações, fale com o pesquisador pelo email:
[email protected]
 

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